sexta-feira, fevereiro 28, 2014


“As Aventuras de Peabody & Sherman” (Rob Minkoff)



Nunca fui muito fã dos desenhos do estúdio Jay Ward, responsável por “George – O Rei da Floresta”, “Polícia Desmontada”, “Alceu e Dentinho” e “Sapula Pula”. Na realidade, só lembro mesmo de ter visto alguns poucos episódios. E só dos dois primeiros da lista. Da animação “Peabody’s Improbable History” (que nem nome nacional eu achei) eu sei que nunca passei perto. Por isso mesmo, imaginava que esta adaptação feita pela DreamWorks fosse resultar deveras desinteressante.

Só que não. A animação é realmente divertida, alcançando tantos os fãs hard de ficção científica quanto aqueles que curtem brincadeiras históricas. Possui um ritmo bastante dinâmico, um design legal tanto dos personagens quanto dos cenários e algumas piadas bem sacadas (inclusive para adultos). Oscilando períodos históricos variados (Revolução Francesa, Guerra de Troia, Renascentismo, Egito Antigo), “As Aventuras de Peabody & Sherman” consegue manter a atenção e o fio da meada, inclusive quando surge uma terrível ameaça para o continuum espaço-tempo e as explicações podem soar mais confusas. A presença de figuras histórias só aumenta o interesse, pois tal subterfúgio nunca surge descontextualizado.  

Porém, além de toda a ação e viagens no tempo, o roteiro é feliz também, e principalmente, por abordar temas menos óbvios, como o conceito estabelecido de família. O fato de um cão, inteligente e bem articulado, deter a guarda de uma criança é posto em cheque quando Sherman reage a um ato de bullying. O pai “diferente” (as aspas são propositais) se vê então obrigado a provar que é adequado para desempenhar a função. E o óbvio fica mais óbvio, mas não menos importante: são os laços afetivos que configuram uma família e não gêneros, números ou graus. Tal tema me parece bastante atual e muito bem inserido em uma animação “família” de ritmo animado e aparência leve e rasteira. É claro que os conflitos se resolvem sem grandes problemas, ainda mais porque existem mais subtramas e problemas para serem resolvidos. Mas não deixa de ser relevante a mensagem encontrada nas entrelinhas. E isso, por si só, já me ganhou.

Mr. Peabody & Sherman (2014)
Diretores: Rob Minkoff
Roteiristas: Craig Wright
Elenco (vozes): Ty Burrell/Alexandre Borgues, Max Charles, Ariel Winter           

Postado por Nery Nader Jr às 11:00

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sexta-feira, fevereiro 21, 2014


“Um Conto do Destino” (Akiva Goldsman)



Adoro filmes com um claro transtorno dissociativo de identidade. Filmes que não sabem bem o que são, quantos são ou em que gênero se situam. Filmes difíceis de serem vendidos e que poucos compram. Filmes que exigem um desprendimento e um mergulho meio cego em seu universo pantanoso.

“Um Conto do Destino” é assim. E mesmo assim é bem legal. Pelo menos para quem conseguir embarcar na fórmula estapafúrdia que mistura romance, fantasia e papalvices. Quase como um Neil Gaiman adocicado e absurdamente piegas.

O filme, na verdade, exige muito mais do que o cartaz ou o trailer supõem. Entretanto, quinze minutos de exibição são mais do que suficientes para você saber se vai engolir esta viagem ao mesmo tempo tola e corajosa.

A adaptação de Akiva Goldsman para o volumoso romance de Mark Helprin abusa da magia, do romantismo e do improvável. E no fundo é a velha história do bem contra o mal – só que com muitas interferências do destino. A trama vai além do puro romance que as imagens prévias poderiam supor (e isso é bom). O propósito final do “herói” Peter Lake (Colin Farrell) me lembrou bastante um velho conto de Natal do Homem-Aranha nas HQs, em que o Vigia interfere no destino dos terrestres não para salvar o universo, mas apenas uma ínfima fração dele. Piegas, sem dúvida. Mas capaz de divertir quem sente falta de filmes honestamente bobinhos e sentimentaloides.

A direção de Akiva reforça tais características ao abusar dos efeitos de luz, da fotografia “iluminada” do pai da Zooey Deschanel e dos efeitos especiais quase que propositadamente artificiais. O ritmo da história é legal, a ruptura temporal também, e os protagonistas (Farrell e Jessica Brown Findlay) defendem com garra os seus personagens. William Hurt também está bem, enquanto Russell Crowe mergulha em uma caricatura divertida (onde ele é quem parece ter se divertido mais). E Will Smith surge numa ponta curiosa e despretensiosa que mantém o clima inverossímil do filme.

O final incomoda um pouco mais, por conta do seu lirismo barato – tanto que consegui pensar em um desfecho bem melhor sem mudar o ritmo dos acontecimentos. Mas dá para relevar (ainda mais por manter a integridade desintegrada do filme como um todo).

“Winter’s Tale” (2014)
Direção: Akiva Goldsman
Roteiro: Akiva Goldsman
Elenco: Colin Farrell, Jessica Brown Findlay, Russell Crowe, William Hurt, Will Smith

Postado por Nery Nader Jr às 18:06

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quinta-feira, fevereiro 20, 2014


“Robocop” (José Padilha)



De um bom tempo pra cá os remakes viraram reboots na tentativa de fugirem das comparações entre xerox e original. Mais do que refilmagens, os filmes agora se propõem a reimaginar o universo dos clássicos.

Claro que tudo isso é pura balela da indústria hollywoodiana. Os filmes continuam sendo refeitos em busca da bilheteria e da aceitação por parte de uma multidão que não conhece o original e nem quer conhecer.

Dito isso, resta à equipe “criativa” (com aspas propositais) oferecer algo novo, ousado e capaz ainda de, ao mesmo tempo, ser reverente com o passado e subverter suas convenções. Tarefa nada fácil e quase nunca priorizada. A solução normalmente encontrada é criar um genérico explosivo e rasteiro. A essência você deve buscar no original – se é que o original a tem.

Talvez estes remakes não devessem ser comparados com as obras que os inspiraram. Mas como eles sempre tentam dialogar com o passado torna-se inevitável sobrepor as coisas.

E nesta sobreposição, o “Robocop” de José Padilha perde feio para o de Paul Verhoeven. O primeiro era muito mais ousado, ácido, satírico e afiado – e sem deixar de ser divertido. Os momentos antológicos se empilhavam uns sobre os outros e ainda hoje conseguem ofuscar o “Robocop” atual em quase todos os momentos. A própria simplicidade quadrinística da história original funciona bem melhor do que os dilemas morais e os dramas familiares de agora.

Nem por isso o novo “Robocop” é ruim. A reconstrução é interessante, o ritmo (desacelerado) é correto e o elenco, de uma forma geral, sabe garantir consistência aos seus papéis. A direção de Padilha segue o perfil que o consagrou nos dois “Tropa de Elite” e, nas cenas de ação, percebemos com mais clareza a assinatura do diretor.

Porém falta a vilania, a sanguinolência e aquele tom mordaz do filme original. A relação de Alex Murphy com a família parece tão artificial quanto o seu novo corpo. Falta substância neste aspecto tão importante do roteiro. E parece faltar também uma tensão genuína e um antagonista de peso.

As homenagens ao filme original surgem a todo momento, inclusive com a releitura do sensacional tema de Basil Poledouris a encorpar a entrada do título do filme. Mas o que deveria soar como “soubemos homenagear o original mas estamos entregando algo novo e bem melhor” ecoa como “estas homenagens ao original são o que este novo filme tem de melhor”.

Robocop (2014)
Direção: José Padilha
Roteiro: Joshua Zetumer
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson

Postado por Nery Nader Jr às 18:02

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