sexta-feira, setembro 21, 2012


“Poder Paranormal” (Rodrigo Cortés)



A trama até começa de forma decente, mostrando dois profissionais especializados em desmascarar pessoas com habilidades paranormais. Porém, os excessos do roteiro não tardam a aparecer, buscando criar um clima de suspense que o filme nunca alcança. Sem falar nos furos, nas forçadas de barra, nas resoluções simplistas e nas incoerências recorrentes.

A história demora para engrenar, se atendo demais à volta do médium vivido por Robert de Niro e aos dilemas rasteiros de Sigourney Weaver e Cillian Murphy. E logo a trilha começa a subir e os sons incidentais aumentam, buscando sustos que simplesmente não acontecem.

De Niro abusa da caricatura. E não avança um milímetro além disso. Sigourney Weaver, por outro lado, está melhor, mas a necessidade do seu personagem em explicar as coisas de forma detalhada e em momentos equivocados enfraquece a sua interpretação. Por fim, Cillian Murphy surge confuso, com motivações que não entendemos, a princípio, e que depois, quando passamos a entender, continuamos incapazes de nos relacionarmos com elas.

E assim, o que poderia ser um bom suspense, ou mesmo um thriller de desmascaramento ou de crítica à cegueira mística que muitos escolhem por conta própria, acaba por se revelar tão somente um decepcionante longa com pretensão demais e substância de menos.

(Poder Paranormal – 2012)
Direção: Rodrigo Cortés
Roteiro: Rodrigo Cortés
Elenco: Cillian Murphy, Robert De Niro, Sigourney Weaver, Toby Jones, Elizabeth Olsen

Postado por Nery Nader Jr às 10:00

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“Ted” (Seth MacFarlane)



Mais do que parodiar aqueles filmes infantis com desejos natalinos e brinquedos que ganham vida, “Ted” parodia, ou pelo menos extrapola os limites, das comédias focadas nos tais “bromances”.

Porque, em essência, “Ted” é sobre isso – a amizade/amor entre John Bennett, um cara acomodado vivido por Mark Wahlberg, e o seu “bro” de longa data, e também sobre os atritos que tal relação gera entre o cara e a namorada. A grande diferença é que este amigo é, na verdade, um urso de pelúcia que ganhou vida ainda na infância de John e o acompanha desde então. Chegado em drogas e mulheres, Ted é visto como uma influência nociva para o relacionamento do amigo. E uma escolha precisa ser feita.
Mas antes, durante e depois desta escolha, a metralhadora giratória de Seth MacFarlane não para, disparando ótimas piadas, outras um tanto tolas, mas em um ritmo bom e divertido, capaz de manter as risadas por quase toda a exibição do filme.

Transbordam referências, muitas delas aparentemente distantes do público-alvo. Mas que fazem a diversão de quem consegue pescá-las. A mais explícita e recorrente é com “Flash Gordon” - aquele delicioso trash de 1982. São muitas tiradas sensacionais, com direito inclusive à trilha sonora do Queen. Em outra referência, evocando “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu”, Seth praticamente reproduz de forma idêntica a cena da dança, que por sua vez já era uma paródia de “Os Embalos de Sábado à Noite”.

Com tudo isso rolando, porém, “Ted” não se desvia tanto assim da estrutura das comédias americanas, sendo palatável também para o público médio. Mesmo tirando sarro de muita coisa, Seth parece ter segurado as pontas na acidez excessiva, mantendo um certo esquematismo seguro, capaz de garantir uma boa bilheteria – o que não aconteceu nos Estados Unidos, já que a bilheteria foi muito melhor do que boa.

De qualquer maneira, “Ted” fica bem acima da média porque tem várias piadas boas, um protagonista inesperado e alguns momentos antológicos capazes de gerar dúvidas mortais se estivéssemos na mesma situação. Afinal, quem você escolheria: Mila Kunis ou Flash Gordon em pessoa?

(Ted – 2012)
Direção: Seth MacFarlane
Roteiro: Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild
Elenco: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane, Joel McHale, Giovanni Ribisi, Sam J. Jones

Postado por Nery Nader Jr às 09:49

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quinta-feira, setembro 13, 2012


“Vizinhos Imediatos de 3º Grau” (Akiva Schaffer)



As comédias americanas estão cada vez mais genéricas. E nada ousadas. E pouco engraçadas.

Temos as comédias-família, que moderam na baixaria e preferem situações de puro pastelão e, no máximo, piadas sobre flatulências... e temos as comédias-para-adultos, que abusam dos palavrões e das brincadeiras de cunho sexual. O que varia é o tema central, porque as gracinhas se repetem.

A premissa inicial de “Vizinhos Imediatos de 3º Grau” parece até interessante: após a morte do guarda noturno de uma loja de departamentos um grupo de pessoas de uma cidadezinha interiorana dos Estados Unidos decide formar uma patrulha para vigiar a vizinhança. O que eles não sabem é que a ameaça, no caso, é extraterrestre.  

Pena que a trama siga por um caminho confortável e convencional, demorando para engrenar e, ao fazer isso, apresentando inúmeros clichês de filmes de ação, que às vezes até são paródias, mas na maior parte do tempo são usados como muletas para o roteiro, incluindo aí até os indefectíveis “dramas” pessoais.

Pelo menos algumas piadas são boas (e há até umas duas ou três realmente ótimas), mas a média geral é bem fraca e a gente acaba sentindo falta de mais referências e subversões.

Com relação ao elenco, Vince Vaughn é de longe o melhor em cena. Só Jonah Hill rivaliza com ele em alguns momentos. Ben Stiller está absurdamente contido, ainda mais por ser ele o CDF da equipe. E o resto é figuração.

Ao fim da projeção a gente chega a pensar que, sem os freios hollywoodianos, a coisa toda talvez rendesse bem mais.

(The Watch – 2012)
Direção: Akiva Schaffer
Roteiro: Jared Stern, Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Ben Stiller, Vince Vaughn, Jonah Hill, Richard Ayoade, Rosemarie DeWitt, Will Forte

Postado por Nery Nader Jr às 17:06

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quinta-feira, setembro 06, 2012


“Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” (Timur Bekmambetov)



“Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” é um filme divertido, a começar pelo título. Você sabe que não vai encontrar precisão história ou qualquer profundidade na trama ou nos personagens. E nós, brasileiros, que tão pouco conhecemos da história norte-americana, nunca saberemos ao certo quantas heresias foram cometidas e quanto da história precisou se moldar à História. Em alguns momentos, percebemos situações que supomos baseadas no que aconteceu realmente com Lincoln – o que até garante um leve tom amargo em algumas passagens. Mas não se iluda, a diversão e o exagero vêm em primeiro lugar. E a verdade é que já esperamos por isso, ainda mais se considerarmos que Timur Bekmambetov adora abusar do visual, das câmeras-lentas-aceleradas-lentas, das poses tipo “já-destruí-dez-vampiros-com-meu-machado-e-agora-posso-posar-de-costas-pro-perigo-com-cara-de-poucos-amigos”.

É tudo uma grande besteira. Mas uma besteira divertida, com bons momentos e com a coragem de mostrar sangue num filme de vampiros (o que parecia quase abolido desde o início da fase crepuscular do gênero).

Outra qualidade do filme é a ausência de grandes astros ou estrelas de Hollywood, dando espaço para atores legais como Benjamin Walker, que mais parece o Liam Neeson rejuvenescido por computação, a bela e meiga Mary Elizabeth Wistead, o canastrão do bem Dominic Cooper e bom canastrão do mal Rufus Sewell.

O uso de efeitos digitais para reproduzir grandes batalhas, pontes em chamas, lutas sobre trens ou sobre o estouro de uma manada de cavalos se revela por vezes meio tosco (ou muito tosco), mas até isso combina com o filme.

Por isso, sugiro que a sua sessão seja acompanhada de uma boa pipoca e, mais importante ainda, de doses cavalares de refrigerante, que é pra ajudar a engolir um ou outro exagero mais exagerado.

(Abraham Lincoln: Vampire Hunter – 2012)
Direção: Timur Bekmambetov
Roteiro: Seth Grahame-Smith
Elenco: Benjamin Walker, Mary Elizabeth Winstead, Dominic Cooper, Rufus Sewell, Anthony Mackie

Postado por Nery Nader Jr às 17:14

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