quinta-feira, dezembro 20, 2012


“As Aventuras de Pi” (Ang Lee)



O que é mais importante em um filme?

A cada dia eu me convenço mais de que resposta certa é: o diálogo. Só que eu não estou falando do diálogo que está lá no roteiro, delimitando o que cada personagem vai dizer em cada cena. O diálogo da minha resposta é outro.

Estou falando do diálogo que o filme estabelece com você. Aquele diálogo que só existe porque as suas experiências, os seus desejos e os seus sentimentos estão em sintonia com a mensagem do filme. E aí, pouco importa se o filme é tecnicamente ruim ou se foi desprezado pela crítica especializada. Se ele conseguiu lhe alcançar e dialogar com o seu mais profundo “eu”, então os poréns ficam para trás e você sorri para o filme e o acolhe e o guarda em algum lugar especial das suas memórias.

“As Aventuras de Pi” conseguiu dialogar comigo. Nos aspectos gerais, que envolvem roteiro, direção, atuações, efeitos, fotografia e tudo mais, o filme é muito bem realizado. O tom de fábula é correto e nada exagerado. O ritmo é perfeito e o desfecho consegue quebrar expectativas e nos obriga a fazer uma escolha pessoal. Tudo está no seu lugar.

Mas não são essas qualidades que definem a capacidade do filme em dialogar comigo. E nem sei se conseguiria explicar o que então fez esta conexão. É claro que o tema, a busca, os dilemas e as perspectivas apresentadas cativam. Mas existe uma qualidade obscura e indefinida, que vem dos detalhes, da escolha de uma cor e não de outra no horizonte, de uma frase dita ou então ausente, de um olhar, seja do ator, do diretor ou do tigre digital, de algum momento (ou de quase todos os momentos) que faz a gente sentir o filme de uma forma diferente. E a partir daí, ele nos conduz a um patamar atípico, onde alguns “gremlins” do nosso inconsciente saem de suas tocas para brincar com a gente. E a gente se rende: o filme nos ganhou.

(Life of Pi – 2012)
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Tabu

Postado por Nery Nader Jr às 16:57

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quinta-feira, dezembro 13, 2012


“O Hobbit – Uma Jornada Inesperada” (Peter Jackson)



Não vou comparar este filme com o livro que deu origem à série (serão três filmes, poxa!). Até porque não li “O Hobbit” do Tolkien. Tampouco vou comparar o filme com a trilogia “O Senhor dos Anéis” (mesmo citando-a em alguns momentos). E a razão da não comparação é simples: filmes devem sobreviver por conta própria - exceto quando são partes de algo maior. Assim, quando as sequências chegarem aos cinemas, ter visto “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada” irá se configurar um pré-requisito.

Mas no caso desta jornada inesperada, é preciso analisar o filme por si só. Um filme que precisa funcionar mesmo para pessoas que desconhecem tudo que citei acima.

E eis que o filme funciona, exibindo doses bem equilibradas de ação, reflexão, humor e emoção. A trama é simples, mas nunca simplória, mostrando a jornada do hobbit Bilbo Bolseiro, 13 anões e o mago Gandalf em busca do tesouro dos anões, usurpado pelo dragão Smaug.  

Peter Jackson, sabiamente, reapresenta personagens e locais conhecidos dos fãs da trilogia "O Senhor dos Anéis". Assim, quem nunca viu antes o Condado ou Valfenda poderá se surpreender com o visual bem cuidado, valorizado pelos belíssimos planos abertos repletos de detalhes. Parece até que Jackson estava enquadrando tais cenários pela primeira vez.

A aventura começa com um belo prelúdio, onde vemos o ataque de Smaug à Erebor (o reino dos anões) em takes cuidadosamente escolhidos para que apenas pequenos vislumbres do dragão sejam captados (fogo, pata, rabo etc)  – uma solução certamente complicada mas um tanto óbvia, se pensarmos que Smaug deve ser a essência de grandes momentos nas sequências. Em seguida a trama abusa de trechos bem-humorados, mostrando os anões chegando à casa de Bilbo e abusando de sua hospitalidade relutante. A fração mais infantil, e tolinha, de toda história fica por conta do exagerado mago Radagast - definitivamente o elo fraco de todo o filme.  O período passado em Valfenda se revela excessivo, talvez pela necessidade de Jackson em apresentar alguns prenúncios do futuro que se desenrolou em sua trilogia passada. Porém, logo estamos de volta à estrada e as aventuras se sucedem num crescendo, criando o clímax necessário antes do final em aberto que acaba trazendo aquela leve frustração da história sendo pausada.

Além da direção segura de Peter Jackson, o filme exibe uma bela direção de arte, locações deslumbrantes, bons efeitos especiais (ainda que eu tenha sentido uma certa falta de peso em alguns personagens digitais, como no caso dos trolls), a competente trilha de Howard Shore (evocando “O Senhor dos Anéis” nos momentos certos) e um show de interpretação de Ian McKellen, Martin Freeman e o Gollum digital e sensacional de Andy Serkis.

Para os fãs da trilogia “O Senhor dos Anéis” vale destacar ainda a presença de vários personagens conhecidos, além do cuidado com os detalhes que amarram tudo de forma correta e, por vezes, inventiva. Obviamente, não existe aquela tensão no ar nem o clima de urgência da trilogia. Mas é sempre gratificante poder voltar à Terra-Média e se divertir por quase três horas.

(The Hobbit – An Unexpected Journey – 2012)
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo Del Toro
Elenco: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Andy Serkis

Postado por Nery Nader Jr às 17:34

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sexta-feira, dezembro 07, 2012


“A Escolha Perfeita” (Jason Moore)



Indústrias, de uma maneira geral, possuem linhas de montagem, fórmulas pré-estabelecidas de produtos e rotinas bem definidas.

E se, em Hollywood, o cinema é uma indústria, o parágrafo acima acaba se aplicando inevitavelmente aos filmes que são produzidos por lá.

Não que seguir uma fórmula seja assim tão nocivo. Às vezes os funcionários se dedicam um pouco acima do esperado e acabam por entregar um produto bem acabado, que podemos até apreciar, desde que a fórmula nos apeteça.

Porém, confesso que a fórmula “Glee + College Comedy + Romance Açucarado” não faz muito o meu estilo. Ainda mais com o lance das competições de canções a capela e a presença da Anna Kendric (por quem nutro uma antipatia gratuita).

Mas se a esteira do tempo na linha de montagem do filme segue firme sem grandes sobressaltos ou novidades, ainda assim o roteiro é simpático e tem boas tiradas. A direção de Jason Moore é segura e o elenco esbanja entrosamento.

É claro que pipocam clichês a todo momento: a outsider que será fundamental para o grupo, a gordinha desbocada, a líder metódica e limitada, o líder rival boçal, as fraternidades e suas iniciações, os estranhos colegas de quarto das pseudo-repúblicas, as competições, as referências pop.

Aliás, a principal referência pop é justamente a que dá charme à trama e ao desfecho. Afinal, não dá pra errar ao fazer qualquer conexão com “O Clube dos Cinco”. Porém, do lado negativamente pop, é incrível como ainda caracterizam o nerd com aquele tom exagerado e equivocado, com as infalíveis conexões à “Star Wars” e, neste caso, ao shows caseiros de mágica (?).

Em alguns breves momentos parece que o filme irá subverter o gênero, como quando comenta as obviedades dos finais dos filmes ou quando mostra os decadentes grupos vocais de outros tempos, evocando assim a efemeridade desta fama tola.

Mas qual, ao final é tudo sempre igual.

(Pitch Perfect – 2012)
Direção: Jason Moore
Roteiro: Kay Cannon
Elenco: Anna Kendrick, Skylar Austin, Rebel Wilson, Brittany Snow, Ben Platt, Anna Camp, Hana Ma Lee

Postado por Nery Nader Jr às 17:01

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