sexta-feira, março 22, 2013


Piá




Piá é piá. Mas o que é piá para quem está acima do Trópico de Capricórnio?

Piá é menino, guri, criança mesmo. Corre a esmo. Esfola os joelhos. E foge dos conselhos. Apronta. Afronta. E ainda assim, é do bem.

Piá é um universo. E vice-verso. Sem rima.

Piá também aceita sobrenome. E o sobrenome, geralmente, é o nome do pai. Mas o pai é o único que não usa o sobrenome pro piá. Por exemplo, o Piá do João é assim chamado por todos, menos pelo João. O termo é usado, geralmente, quando estão todos na varanda e percebem que o piá esta perto demais do açude. Aí, alguém que não o João grita logo: “Piá do João, cuidado pra não cair na água!”. Só o grito é permitido. No máximo um levantar da cadeira. Mas sem aproximação, que isso é só pro João. 

Piá também pode ser pançudo. E nem por isso, barrigudo. Trata-se apenas de um piá que pensa que sabe mais do que sabe. Mas não sabe. E se mete mesmo assim onde não é chamado, implorando por uma bordoada que a lei não mais permite.

No fundo, piá pançudo é tudo piá de bosta. E piá de bosta é piá de bosta. Tem mais é que ficar quieto num canto. Mas quem disse que fica? É piá, oras. E piá é tudo piá!

Postado por Nery Nader Jr às 14:14

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Zed’s Dead E William Wilson Também?



Não, o William Wilson só se recolheu. Após passar um certo tempo sendo assombrado pelo fantasma de Edgar Allan Poe, achei por bem deixar o bom e velho WW em paz.

Mas ele continua vivo, soprando informações incongruentes e mensagens subliminares indecentes. Qualquer coisa, eu sempre vou poder usar a desculpa de que “ele me obrigou a fazer isso”.

Esquizofrenias à parte, William Wilson parte para que eu possa alinhar a persona deste blog com a persona que assina o Geek Stop. Simples assim. Eu acho. Eu espero.

Postado por Nery Nader Jr às 11:22

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sexta-feira, março 01, 2013


“Dezesseis Luas” (Richard LaGravenese)



Justamente quando eu achava que nada poderia ser pior do que os filmes da saga “Crepúsculo”, eis que surge este “Dezesseis Luas”.

E olha que eu não fui vê-lo de má vontade. Esperava tão somente um filminho fraquinho, mas não esta bomba total.

A boa vontade era tanta que durante os trinta minutos iniciais, aproximadamente, eu até que estava suportando tudo muito bem. Principalmente porque Ethan Wate (o fraco Alden Ehrenreich), aparentemente o narrador da história (aparentemente porque ele narra apenas uma parte, já que do meio para o fim isso não seria possível) mostrava potencial. O personagem parecia até ser um ser pensante, descolado e inteligente o suficiente para gostar de bons livros e filmes idem. O início do romance dele com Lena Duchannes (Alice Englert) também funcionou. Só que, alguns diálogos decentes depois, a receita começou a desandar. Penso que foi quando entraram em cena os caricatos Jeremy Irons (no piloto automático) e Emma Thompson (terrível, terrível). Ou então quando pipocaram alguns efeitos especiais desnecessários e toda aquela fauna familiar esquisita e chata, oriunda de alguma festa de Halloween de segunda.

A partir daí o roteiro despirocou de vez. A coerência foi para o espaço. Saídas fáceis começaram a aparecer aqui e ali. E cenas constrangedoras, de pura vergonha alheia, se acumulavam sem pudor: fogo na placa, neve no jardim, reflexos azulados no espelho, olhos dourados (e malvados), livros que se fecham sozinhos, caras e bocas do mal. Tudo para tentar dar força a um romance fraquinho e aguado. E longo demais em um filme longo demais.

Ao final, a única coisa que a gente não entende (e nem quer entender) é a razão do título nacional ser “Dezesseis Luas”. Tem a ver com a idade da heroína? Só que então o filme não deveria se chamar “Dezesseis Solstícios de Inverno”?

Beautiful Creatures (2013)
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese, Kami Garcia e Margaret Stohl (livro)
Elenco: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Jeremy Irons, Emma Thompson, Viola Davis, Emmy Rossum

Postado por Nery Nader Jr às 18:08

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“Hitchcock” (Sacha Gervasi)



"Hitchcock" é um filme delicioso. Perceba que, ao dizer isso, não estou afirmando que ele é um ótimo filme. É apenas correto. A direção é correta. Os atores estão bem. A trama flui sem percalços. A ambientação é agradável. As escolhas artísticas, enfim, são acertadas, mas nunca surpreendentes.

E ainda assim o filme é delicioso. Principalmente (e talvez unicamente) para quem ama cinema. Porque são os pequenos acontecimentos envolvendo a produção de uma das obras-primas do mestre do suspense ("Psicose") que tanto empolgam. São os mitos, as fofocas de bastidores, o folclore ao redor do cineasta e de suas musas que tanto agradam os cinéfilos e os fazem rir das brincadeiras, das referências e das homenagens presentes no roteiro.

A trama envolvendo o relacionamento de Hitch com sua esposa Alma quase não interessa. Serve para fazer o filme andar, em sua forma mais convencional, com atos bem definidos, problemas a serem resolvidos e desfechos satisfatórios. Nada capaz de criar um envolvimento emocional maior.

Porém, é nos diálogos certeiros, na obsessão desmedida na medida certa e nos meandros cinematográficos que reside o charme de "Hitchcock". Anthony Hopkins está muito bem, ainda que a maquiagem se esforce sem sucesso em transformá-lo no diretor. Em momento algum eu consegui enxergar o Hitchcock conhecido pelas pontas em seus filmes, pela autopromoção e por apresentar o "Alfred Hitchcock Presents" na TV. Mas ainda assim, o tom interpretativo escolhido por Hopkins me agradou. Helen Mirren também está muito bem. É fácil entender todos os dilemas e escolhas de sua personagem. Gostei ainda da candura da Janet Leigh de Scarlett Johansson e da amargura da Vera Miles de Jessica Biel. E o Anthony Perkins de James D`Arcy é simplesmente estarrecedor em sua semelhança, tanto física quanto comportamental, mesmo contando com um pequeno tempo de tela.

A direção de Sacha Gervasi é apenas burocrática. Há diversas homenagens visuais e até a tentativa de criar algum suspense nos momentos paranóicos de Hitch. Mas nada além do padrão.

De qualquer forma, quem gosta de cinema e conhece um pouco de sua história vai achar "Hitchcock" delicioso mesmo sem ser cinema de alta qualidade. E quem não conhece nada sobre o gênio pode até se interessar pela obra e descobrir "Psicose" e outras pérolas. E se o filme for capaz disso já podemos dizer que é um bom filme.

Hitchcock (2012)
Direção: Sacha Gervasi
Roteiro: John J. McLaughlin, Stephen Rebello (livro)
Elenco: Antonhy Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, James D`Arcy, Jessica Biel, Danny Huston, Tony Collette

Postado por Nery Nader Jr às 15:57

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“Colegas” (Marcelo Galvão)



“Colegas” é um filme bem-intencionado. Mas você conhece o ditado...

A premissa é ótima: três jovens com síndrome de Down fogem do instituto onde viveram desde crianças em busca dos seus sonhos. Stalone (Ariel Goldenberg) quer conhecer o mar, Aninha (Rita Pokk) sonha em se casar com um cantor e Márcio (Breno Viola) quer pura e simplesmente voar. Na fuga, roubam o Karmann-Ghia conversível do jardineiro e se aventuram incorporando personagens dos filmes que assistiram, repetidas vezes, durante o período que trabalharam na videoteca do instituto.

O filme tem bons momentos, algumas piadas ótimas e referências idem. Porém, existem excessos e banalizações que quase põem tudo a perder. A locução do Lima Duarte, por exemplo, que no início do filme explica o passado e começa a delinear o futuro de cada um dos heróis, sempre de forma divertida e dinâmica, vai se tornando cansativa e repetitiva à medida que o filme avança. Além disso, muitas das piadas, principalmente com os coadjuvantes, são toscas e sem-graça. O humor mambembe desvia-se das sutilezas, mas também das gargalhadas. Os trechos com os telejornais e programas de TV soam falsos e travados. Sensacional mesmo só a entrevista com o Policial Rodoviário – hilária!

Existem ainda as referências cinematográficas, que às vezes funcionam, mas na maior parte do tempo surgem deslocadas e forçadas, como quando remetem gratuitamente a filmes como “Psicose” ou “Taxi Driver”. Melhor sorte têm as referências mais sutis a “Blade Runner” ou a “Uma Mulher para Dois”.

O filme apresenta cenas naturalmente poéticas e outras forçadamente poéticas. E muitas panorâmicas das belas locações parecem se prolongar indefinidamente tão somente para aumentar a metragem do filme. O clímax policialesco também soa forçado, ainda que o desfecho seja bem legal.

Temos ainda, com destaque, a trilha sonora repleta de clássicos (e não-clássicos) de Raul Seixas. Algumas canções se inserem bem no contexto das cenas. Outras entram deslocadas. Mas de qualquer forma, ouvir “SOS” ou “Tá na Hora” em um filme é sempre legal.

Ao final da exibição me pus a pensar que, talvez, com algumas escolhas diferentes, “Colegas” pudesse se tornar antológico. Mas é tão somente correto, com muitos altos e baixos.

Colegas (2012)
Direção: Marcelo Galvão
Roteiro: Marcelo Galvão, Ricardo Barretto
Elenco: Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola, Lima Duarte

Postado por Nery Nader Jr às 15:42

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