"Psicose" (Alfred Hitchcock)
O que falar diante do filme perfeito? O que falar que já não tenha sido dito, escrito, visto, revisto, analisado, decupado? O que falar para não soar repetitivo?
Suponho que o melhor mesmo seja calar essa minha boca-dois (situada na ponta dos dedos), ficar quietinho e simplesmente dizer: revi "Psicose".
Mas não consigo. Tenho essa vontade idiota e incontrolável de dizer para a multidão de 10 ou 12 que visitam o MegaZona semanalmente, ou mais especificamente para os 2 ou 3 que ainda estão lendo este texto chato, que "Psicose" é muito bom. Que não existe um minuto/segundo/fotograma desperdiçado. Que cada enquadramento, diálogo, silêncio ou intervenção da trilha do Bernard Herrmann é sublime, evidenciando uma perfeição irritante.
Mas como tudo isso é chover no molhado, me atenho a algumas reminiscências. Lembro do pavor que senti quando vi "Psicose" pela primeira vez, na TV (é, na TV, porque naquele passado longínquo os filmes em vídeo eram poucos e raros). O fato é que fiquei morrendo de medo do Anthony Perkins. O seu olhar insano ao final do filme me persegue até hoje.
Acho que "Psicose" foi o meu primeiro Hitchcock. E mesmo sendo um piá de bosta, que nada entendia de cinema (não que agora eu entenda), fiquei impressionado com a capacidade do velho gordão de manter o suspense durante todo o filme.
Hoje, após uma recentíssima revisão, só posso dizer que o filme é perfeito. Adoro a cena inicial, os diálogos (todos), o suspense crescente até Marion Crane chegar ao Bates Motel, seus pensamentos em voz alta, imaginando tudo que os outros vão pensar, o momento (e o louco movimento de câmera) quando Arbogast sobe a escada, e ainda a cena em que o carro afunda no pântano e para para que Anthony Perkins transmita, em frações de segundo, medo, angústia, alívio e soberba. Falando em soberba, da cena do chuveiro eu nem falo, de tanto que já falaram dela, com muito mais habilidade e minúcia do que eu.
Só de falar do filme, já dá vontade de revê-lo mais uma vez. E isso é o melhor elogio que consigo imaginar para um filme.
Postado por William Wilson às 16:11Follow @MegaZona
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